Não sou de guardar datas (fora meu aniversário e nascimento) na mente e porisso o momento histórico deste fato é aproximadamente quando eu tinha 14 anosde idade. Nesta época eu ainda andava em grupo de amigos que me ajudavam, me zoavam e o pior faziam as coisas por mim, mas não as lições da escola, as coisas que eu não sabia que eles fariam.
Foi assim que no começo de uma semana de final de ano, depois que três dos meus amigos já tinham dado seu primeiro ‘selinho’ ou popularmente seu primeiro beijo na boca, eles chegaram em mim e falaram ‘Rafa, hoje é a sua vez de dar um beijo em uma garota!’ e eu não tive como negar toda a ação feita para este humilde e pequeno ser.
Procurei ficar com dor de barriga para não vir no dia seguinte à escola, mas quando soube que eu deveria beijar a menina ainda hoje, meio que sem conhecê-la fiquei ainda mais branco e ao mesmo tempo vermelho como um pimentão.
Em 40 minutos, os principais meninos da sala estavam sabendo que no intervalo eu e a menina nos veríamos e de alguma forma nos beijaríamos. Isso significava que teria ao menos umas 10 pessoas me olhando e eu não poderia me esconder sobre as trevas de um cinema ou ainda sobre a rua deserta de um domingo a tarde e teria que encarar os alunos da minha sala, as amigas da garota, os professores e faxineiras da escola entre outros.
Assegurei-me de gravar o nome dela na mente, de tomar pra mim toda a força e coragem que uma pessoa necessita e me preparei para o intervalo. Parece que esse espaço de tempo entre a aula e o intervalo não durou 10 minutos e eu me vi no meio de um corredor iluminado naturalmente pelo sol forte da manhã.
Dois dos meus amigos se encarregaram de chamar a garota enquanto eu sentia aquele frio na barriga ao lado do Cesar que sentia uma felicidade em ‘ajudar‘. Andei até a quadra e a vi. Loira, mais alta que eu e totalmente diferente do padrão de mulher que sonhei para meu primeiro beijo, mas ainda assim ela se tornou a pessoa mais bonita que já tinha visto até porque quem fez a‘escolha’ foram meus amigos.
Olhei para ela, me perdi com o ‘oi’ pois não sabia se deveria dar um beijo no rosto ou não, mas em 3 minutos, uma centena de alunos já nos olhava de longe. Resolvi convidá-la para entrar e ficar no corredor da escola. Assim fizemos e nesta hora, Caio, um aluno repetente com dois metros de altura chegou perto de mim e me disse ‘E ae Rafa, não demora pra beijar heim’. Aquilo foi sinônimo de morte. Não da para conversar com ninguém que o povo já vem pensando mil coisas e depois disso piorou. As amigas dela e os meus amigos fecharam o corredor pela quantidade de pessoas que queriam ver o momento histórico e com o fervor da multidão juvenil eu falei a ela ‘Você topa ficar comigo?’ em seguida ouvi um sim e então eu a beijei. O Caio saudou o momento com um ‘aeee’ [grito] de alegria e meus amigos entrou na onda e assim essa mesma multidão que mais parecia todo o mundo se animou e o sinal soou, dando fim ao primeiro dia de uma ótima semana.
No fim, essa felicidade durou duas semanas e eu aprendi o quão importante é sair do mundo que acreditamos ser o melhor e dar uma chance para as oportunidades diferentes da vida.
Guest Post enviado por:
Rafael Faria é técnico em informática pelo Centro Paula Souza, edita o ArrumaBlog e o Blog do Rafa .





Hahahaha! Eu ri viu, é bem assim no ensino fundamental II. Me lembro que aos 12 anos participei de uma brincadeira chamada 'POP' e foi a maior vergonha da minha vida, ter que beijar o pescoço de um menino no meio de um aniversário rsrsrs com uma platéia inesquecível kkkk'. Ótima semana Vanda e espero que o Rafael não sinta mais vergonha pela sua "inicição" rsrsrs. Beijos.
ResponderExcluirGostei também do relato do Rafael, quem nunca passou por isso? rs
ExcluirBoa semana Van!
Até eu fiquei com frio na barriga!!!!
ResponderExcluirNunca namorei nem fiquei com ninguem de escola, curso, faculdade. Mas na escola existia pressãozinha por X ou Y e eu certamente ficava roxa.
Beijos
Coisas da vida de adolescente...rs
ExcluirOwnnn... que fofitcho!
ResponderExcluirE ainda dizem que os homens não gostam de falar dessas coisas!
Parabéns pro Rafa.
bjo, amiga e uma semana iluminada.
É tanta trabalheira pra fazermos isso tão automático depois, né? hauahuahau
ResponderExcluirRsrsrsrsr verdade viu. Hoje se tornou tão automático que nem parece que foi difícil no começo.
ExcluirQuero agradecer a oportunidade e a alegria em compartilhar coisas do meu mundo com o Pleneta e com todos os leitores do blog. Agradeço aos comentários e quero informar que estou bem, não me senti com bulling nem nada dessas coisas bestas do mundo moderno.
ExcluirBjos Vanda
E cada um tem sua história pra contar, no começo tudo é loooongo demais, tem toda aquela expectativa e depois como a Rê disse, fica automático.
ResponderExcluirbjoks
Puxa, que história legal Vanda...
ResponderExcluirLembrei dos meus tempos de escola, a adolescência: tudo era tão bom!
O Rafael é sensível e conseguiu colocar em palavras momentos significativos e importantes na vida de um adolescente! Adorei!!!
Beijos para todos !!